Risco Intradiário

A estrutura de administração de risco intradiário é responsável pela avaliação cíclica (intraday) das carteiras de todos os participantes utilizando a arquitetura CORE, avaliando o potencial reflexo em cada um dos elementos da estrutura de salvaguardas. Essa característica é de grande importância, uma vez que, em vários dos mercados administrados pela BM&FBOVESPA, por conta da sua dinâmica¹, emprega-se um modelo de pós-margem, ou seja, permite-se que as operações possam ter sua colateralização realizada após sua novação² pela contraparte central (CCP). Nesse caso, é fundamental avaliar, o quanto antes, os impactos associados ao novo conjunto de operações realizadas. Existem, para cada nova operação, dois cenários possíveis:

1. A operação tem seu comitente (cliente final) identificado no momento da negociação; e

2. A operação não tem seu comitente (cliente final) identificado no momento da negociação, sendo alocada a posteriori.

No primeiro caso, a operação é automaticamente incorporada à carteira de ativos e contratos do cliente, sendo o seu risco calculado normalmente junto com sua carteira de colaterais. Na hipótese de os colaterais previamente alocados não serem suficientes para a cobertura da totalidade do risco da carteira do cliente, o risco residual (déficit de margem) é transmitido aos demais componentes da estrutura de salvaguardas conforme o modelo definido na seção Estrutura de Salvaguardas, impactando a determinação do risco residual do PNP/PL e do Membro de Compensação.

Na hipótese da operação não ser identificada no momento da alocação, esta é incorporada à carteira de operações não alocadas do PNP/PL até que seja realizada a identificação do cliente responsável no ambiente de pós-negociação. O risco da carteira de operações não alocadas do PNP/PL é calculado de forma distinta de uma carteira normal, dado que há incerteza com relação às combinações de negócios que serão futuramente especificadas para carteiras de clientes. Assim, o risco da carteira de operações é determinado com base na pior combinação possível de alocação de negócios para uma carteira hipotética que não possui colaterais depositados. Esse procedimento evita que sejam inicialmente consideradas compensações entre operações que venham a se perder após o procedimento de alocação, potencialmente aumentando o risco do PNP/PL da hipótese de não existirem colaterais depositados por clientes. O risco da carteira de operações não alocadas de cada PNP/PL é comparado com um limite de risco de crédito intradiário estabelecido pela BM&FBOVESPA, que pode ser ratificado ou reduzido pelo Membro de Compensação responsável pelo PNP/PL. Na hipótese de violação desses limites o Participante deve:

1. Alocar negócios para os clientes responsáveis, reduzindo o risco da sua carteira de operações não alocadas; e

2. Depositar colaterais para a cobertura do risco em excesso da sua carteira de operações não alocadas.

É importante ter em mente que a alternativa (1) não necessariamente diminui o risco do PNP/PL, uma vez que pode haver déficit de colaterais na carteira do cliente especificado, resultando em potencial aumento do risco residual do PNP/PL, conforme descrito anteriormente.
 

1 Por exemplo, o mercado de ações a vista e o mercado de derivativos listados.
2 Na novação as contrapartes originais da operação são substituídas pela CCP, que torna-se compradora do vendedor e vendedora do comprador para fins de liquidação.